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17 de novembro, 2019

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8 em cada 10 reajustes salariais tiveram ganhos reais em 2017

Com a queda da inflação, os reajustes salariais voltaram a ter ganho real no ano passado, compensando em parte o poder de compra perdido ao longo de 2016.

A cada 10 reajustes concedidos, 8 ficaram acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado na data do acordo, de acordo com a pesquisa Salariômetro, da FIPE.

O INPC é usado como referência em acordos e convenções coletivas entre sindicatos e empresas. O índice encerrou o ano acumulado em 2,07%, enquanto os reajustes salariais foram em média de 5,1% em termos nominais (sem desconto da inflação).

A melhora é resultado da queda substancial da inflação ao longo do ano passado, resultado da deflação dos alimentos (que têm maior peso no orçamento dos mais pobres) em razão de uma supersafra no início do ano.

Apenas 10% dos acordos e convenções definiram reajustes abaixo do INPC, situação na qual o trabalhador tem perda real de salário. Outros 10,6% foram equivalentes ao índice.

O cenário contrasta com o observado em 2016, quando quase metade dos reajustes (46,5%) ficaram abaixo da inflação. Outros 26,1% foram iguais ao INPC e 27,4% ficaram acima.

O piso médio acordado, por sua vez, subiu de R$ 1.162 para R$ 1.209 entre um ano e o outro.

Os acordos com redução de jornada e salário ainda ocorreram em 2017, mas o volume observado foi muito menor: 137, ante 390 em 2016.

Com a recuperação dos salários, a massa real de rendimentos do trabalho chegou a R$ 191,9 bilhões no trimestre encerrado em novembro.

As categorias de reparação de eletroeletrônicos e artefatos de borracha foram as que tiveram maior ganho real (descontada a inflação) em 2017, de 2,72% e 2,42%, respectivamente.

Na outra ponta, telecomunicações e TI não tiveram ganho real.

Na análise regional, o Estado do Amazonas foi o que apresentou maior ganho médio real (1,27%) enquanto o Acre teve o menor (0,06%). Em São Paulo, o ganho real médio foi de 1,02% – aproximadamente o dobro do Rio de Janeiro (0,52%).

Por outro lado, o reajuste do salário mínimo determinado pelo governo Michel Temer ficou abaixo da inflação. Embora o cálculo também tome o INPC como referência, houve um desconto no previsto para compensar reajustes acima da inflação em anos anteriores, de acordo com o Ministério do Planejamento.

O salário mínimo em 2018 está em R$ 954. FERNANDA PERRIN FOLHA DE SPAULO.·.

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