Diversidade: o Paradigma do Novo Milênio
Diversidade constitui-se em um tema que vem sendo discutido amplamente pela sociedade
contemporânea. A preocupação com o futuro do nosso planeta traz questões da biodiversidade,
pluralidade cultural, pautadas em uma concepção da natureza humana.
As relações entre as pessoas, vem gradativamente assimilando as suas diferenças
sejam elas culturais, étnicas, ideológicas ou outras que compartilhadas só irão
enriquecer a aprendizagem de novos valores. Todavia esse processo é complexo, uma
vez que, o comum, o familiar promove a identificação e nos traz segurança.
Os seres humanos se agrupam por semelhanças e o mundo está se transformando numa
enorme aldeia global exigindo a construção de novas relações. Atitudes de preconceito
e intolerância entre os homens estão presentes desde longa data, e o momento atual
é favorável ao questionamento mais crítico, fortalecendo os princípios dos direitos
humanos.
Desde cedo condicionados a ordem da homogeneidade, aprendemos a nos unir pela igualdade
e discriminar aquele que rompe essa ordem e se desvia do padrão dito normal. A postura
de rejeição do “comportamento desviante” (comportamento que difere das expectativas
de um grupo social constituindo uma característica distinta das outras “pessoas
normais”), de um atributo físico ou de caráter que divergem muito numa população
é socialmente determinada, assim como aquilo que a sociedade irá considerar como
normalidade. Criam-se então os estigmas sobre os grupos que não correspondem a expectativa
gerando a marca da não aceitação social.
São reforçados os esteriótipos de uma categoria de pessoas que passam a ser discriminadas
através de uma velada hostilidade, chegando a exclusão de suas relações com a comunidade.
A não aceitação das diferenças de credo, raça, cultura, de orientação sexual, condição
física ou mental infelizmente tem condenado muitos grupos de pessoas à marginalização
social.
Em uma sociedade competitiva como a nossa, onde a eficiência e a produtividade são
condições para a ascensão social e econômica, como uma pessoa com deficiência poderá
atingir um status de igualdade? Como a pessoa com deficiência sobrevive a falta
de acessibilidade aos bens e serviços oferecidos por essa sociedade?
A questão da normalidade é definida por um padrão médio de uma população, e segue
um modelo estatístico, ou seja, os que desviam da chamada “curva do sino” são uma
minoria e a sociedade é feita para uma maioria. Seria utopia pensar em uma “sociedade
para todos”?
Parece que a humanidade está finalmente refletindo seriamente que nunca fomos iguais,
somos e sempre seremos diferentes. Isso é real e natural e a diversidade entre os
homens é que garante a importância da originalidade de cada um de nós e o respeito
a nossa individualidade. Tratar com igualdade as diferenças na justa medida da desigualdade
constitui-se no pilar da democracia.
Maria de Fátima e Silva
Sumiko Oki Shimono