19 de outubro, 2018

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Inadimplência sobe e famílias tendem a mudar perfil de consumo

Empresário deve ajustar estoques e negociar prazos de pagamento e preços com fornecedores

 

Com alta da inadimplência, famílias devem adotar uma postura mais cautelosa, evitando comprometer a renda futura
(Arte/Tutu)

O alto grau de desemprego ainda dificulta a vida financeira dos paulistanos e, com isso, a inadimplência na cidade de São Paulo cresceu pela terceira vez consecutiva em setembro. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) revelou que 20,6% das famílias da capital afirmaram ter alguma dívida em atraso, a maior taxa desde maio de 2012. No total, são quase 804 mil famílias nessa situação.

Diante desse cenário, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) acredita que as famílias adotarão uma postura mais cautelosa, priorizando a compra de produtos essenciais e evitando comprometer sua renda futura. Tal comportamento deve ser notado até a definição do cenário eleitoral e da sinalização de qual será a política econômica do próximo governo. Por esse motivo, é fundamental que, nesse momento, os empresários ajustem seus estoques, facilitem as formas de pagamento e negociem prazos de pagamento e preços com os fornecedores.

Segundo a PEIC, a situação é ainda mais complicada no caso das famílias com renda abaixo de 10 salários mínimos, cuja taxa de inadimplência atingiu 25,5% em setembro, tecnicamente igual ao maior patamar histórico registrado em agosto, de 25,7%. Apesar de ter subido de 7,7% em agosto para 8,9% em setembro, o percentual de famílias com renda superior a 10 salários e com dívidas em atraso é inferior ao apurado em setembro de 2017 (9,3%).

Outro dado preocupante é o fato de 9,8% das famílias terem declarado que que não terão condições de pagar as contas em atraso no próximo mês, o nível mais alto desde agosto de 2004. São 382 mil famílias nesta situação e para as famílias paulistanas com renda mais baixa esse percentual foi de 12,1%.

A proporção de famílias endividadas (que fizeram uso do crédito para adquirir algo) também teve elevação ao passar de 53,6% em agosto para 54,5% em setembro, ou seja, são 2,13 milhões de famílias na capital paulista que possuem algum tipo de dívida. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a taxa ficou tecnicamente estável.

Com 70,9%, o cartão de crédito continua sendo a modalidade com a qual as famílias mais se endividam. Na segunda posição vem os carnês com 15,4%, seguido de financiamento de casa com 12,1%, e financiamento de carro, com 11,3%.

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