11 de dezembro, 2018

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Inflação desacelera em julho e pode mostrar queda nos próximos meses

Com preços dos alimentos menores após a greve dos caminhoneiros, o IPCA subiu 0,33% no mês passado, após alta de 1,26% em junho; desaceleração ou até deflação devem ocorrer em agosto.

 

A inflação desacelerou em julho pela primeira vez em dois meses, com perda de força da pressão provocada pela greve dos caminhoneiros. Para os próximos meses, a previsão é de taxas menores, podendo alcançar até mesmo resultados negativos.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do País, ficou em 0,33% em julho, quase 1 ponto percentual abaixo do registrado no mês anterior, quando a taxa disparou 1,26% em meio à alta de preços provocada pela paralisação dos caminhoneiros em maio. O dado foi divulgado ontem (8) pelo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o coordenador do IPC do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/IBRE), André Braz, além da greve, outros eventos tiveram impacto nos preços registrados em junho, como a sazonalidade de alguns componentes do índice – por exemplo, o preço do leite, por conta da estiagem – e a forte valorização do dólar no período. “Julho foi, então, o mês da devolução [volta à normalidade]”, diz.

Apesar da desaceleração, o resultado do IPCA veio um pouco acima do esperado pelos analistas. “Serviços livres, alimentação fora de casa, subiram muito em julho. Esse tipo de despesa comprometeu quase 9% do orçamento familiar. Isso influencia muito o IPCA, e não estava no radar do mercado”, comenta.

Os preços relacionados aos grupos Habitação (alta de 1,54%) e Transportes (alta de 0,49%) até desaceleraram de junho para julho, mas foram os que mais pesaram no resultado mais recente. O custo da energia elétrica – subitem da Habitação – teve alta de 5,33% no mês e foi o destaque, respondendo sozinho por 0,20 ponto percentual do IPCA.

Além da continuidade da vigência da bandeira tarifária no patamar 2 da cor vermelha, mais alto por conta dos baixos volumes dos reservatórios das hidrelétricas, foram autorizados reajustes na conta de luz em regiões como São Paulo, Brasília e Porto Alegre.

Para o economista da 4E Consultoria, Bruno Cavani, entretanto, o impacto da tarifa de energia elétrica deverá ser menor no resultado de agosto, com o item apresentando uma alta próxima de 2%.

De fato, segundo os especialistas, em meio à recuperação lenta da economia e demanda fraca, a tendência para os próximos meses é de que a inflação mantenha sua trajetória de desaceleração vista em julho.

“Em agosto, podemos até mesmo ter um resultado negativo, por influência principalmente dos alimentos. Sem a contrapartida dos preços administrados, como energia e gasolina, pode ser que o mês tenha uma desaceleração mais aguda”, comenta André Braz.

“Julho contou com a alta sazonal das passagens aéreas, mas a queda dos seus preços em agosto deve contribuir para a desaceleração. Nós esperamos um resultado de 0,05% em agosto”, diz Bruno Cavani.

Ainda seguindo o economista, a estimativa da 4E é de que a inflação deste ano deverá ser fechada em um índice abaixo da meta de 4,5% estabelecida pelo Banco Central.

“Enquanto a pesquisa Focus espera uma taxa de 4,1%, nossa estimativa é de 4%. Isso se dá pela leitura que fazemos desde o começo do ano, de uma recuperação gradual do mercado de trabalho. A paralisação favoreceu a revisão, mas como vimos, foi uma alta temporária. A tendência é de desaceleração gradual nos próximos meses”, explica.

Com esse cenário, a expectativa da consultoria é de que o Banco Central não deve alterar a taxa de juros básicos (Selic), que está em 6,5%. “O BC deverá começar o processo de revisão no primeiro trimestre de 2019, ano que deve contar com uma elevação da taxa de juros. Estimamos uma taxa próxima de 7,9% no final do período.”

Contribuições

Os grupos Alimentação (-0,12%), Vestuário (-0,60%) e Educação (-0,08%) tiveram deflação e foram os principais responsáveis pela desaceleração do índice de julho na comparação com junho.

A queda foi puxada pela alimentação no domicílio (0,59%). Segundo o gerente na Coordenação de Índices de Preços do IBGE, Fernando Gonçalves, a deflação dos preços de alimentação e bebidas, que registraram em junho a maior alta dos últimos 29 meses (2,03%), refletiu, além do aumento da oferta de itens alimentícios, o realinhamento de preços após as altas decorrentes da paralisação dos caminhoneiros em maio.

Já a alimentação fora de casa acelerou para 0,72% em julho. “Julho é mês de férias, o que eleva o consumo de alimentos fora de casa. Além disso, tivemos Copa do Mundo, o que também aumenta o consumo em bares e restaurantes”, apontou o pesquisador.

No acumulado em 12 meses, o IPCA ficou em 4,48%, acima dos 4,39% dos 12 meses imediatamente anteriores, mas ainda dentro da meta de 4,5%. MÔNICA BAPTISTELLA • SÃO PAULO. DCI

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