20 de agosto, 2018

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Mercado diminui de 2,7% para 2,5% expectativa de alta do PIB em 2018

Alteração ocorreu da semana passada para esta, em função dos dados do varejo e da produção industrial, divulgados no início de maio; números setoriais foram piores do que as projeções

FOTO: PAULA SALATI • SÃO PAULO

 

Publicado em 15/05/18

A projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2018 caiu de 2,7% para 2,51% da semana passada para esta, de acordo com o Boletim Focus do Banco Central (BC), divulgado ontem.

No início de março, por exemplo, os analistas de mercado previam expansão de 2,90%. Em relação a 2019, as expectativas foram mantidas em 3%. Na avaliação do consultor da Pezco Economics, Helcio Takeda, a diminuição da previsão de PIB para 2018 já era esperada, porém algumas instituições estavam aguardando a divulgação das vendas do varejo e da produção industrial, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para “calibrar” as estimativas.

“O humor do mercado não mudou de repente. Muitas casas estavam esperando uma confirmação dos números da indústria e do varejo para bater o martelo na revisão das projeções”, diz Helcio Takeda.

Ele informa que a Pezco cortou de 1% para 0,3% a sua estimativa de crescimento do PIB durante o primeiro trimestre de 2018, contra o quarto trimestre do ano passado (na margem). “Esse 0,3% tem viés de baixa. Vai depender muito da PMS [Pesquisa Mensal de Serviços, do IBGE]”, destaca. A PMS será divulgada hoje (15).

A projeção do economista da GO Associados, Luiz Fernando Castelli, é que os serviços caiam 0,9%, na margem, na pesquisa do IBGE. Ele acrescenta que o PIB do primeiro trimestre deve registrar alta entre 0,1% e 0,3%.

Para o fechamento de 2018, as estimativas oficiais da Pezco e da GO Associados é de crescimento de 3,5% e 3,2%, respectivamente, porém os dois analistas ressaltam que as previsão serão revisadas “com certeza” para baixo, para um número próximo a 2,5%.

Na última sexta-feira (11), o IBGE divulgou que as vendas do varejo brasileiro avançaram 3,4% entre janeiro e março de 2018. Essa foi a quarta alta consecutiva, porém em um ritmo mais lento do que nos últimos dois trimestres (+ 4,2% no quarto trimestre de 2017 e +4,3% no terceiro trimestre).

A produção industrial, por sua vez, foi a que mais decepcionou. A indústria ficou estagnada no primeiro trimestre do ano, enquanto a média do mercado apontava crescimento de 0,3% para o setor.

“Esses números do varejo e do comércio apontam a direção e a magnitude do ritmo do PIB durante o primeiro trimestre, que deve ter sido mais lento do que as expectativas do início do ano”, reforça Takeda.

Castelli acrescenta que a volatilidade do mercado, como o avanço do dólar e a queda da bolsa de valores brasileira, são outros fatores que estão incentivando as revisões do PIB para baixo. Na avaliação dele, essa situação colabora para elevar as incertezas internas, que já estão altas frente à indefinição das eleições deste ano.

Crédito e emprego

O consultor da Boanerges & Cia, Vitor França, analisa que o fraco desempenho do varejo e dos serviços está relacionado com o cenário do crédito e do mercado de trabalho no Brasil. “Esperava-se que a queda da Selic [taxa de juros básica] se refletisse na expansão do crédito, porém o que estamos vendo é que os bancos estão conservadores e as taxas para financiamento ainda estão muito altas, principalmente para a pessoa jurídica”, critica. “O mercado de trabalho, que é outra chave importante para a recuperação do consumo, melhorou pouco e esse pouco foi via informalidade, que não dá segurança para que as pessoas realizem projetos de longo prazo. Além disso, o trabalho informal implica em uma renda menor [do que o formal]”, complementa França.

O Boletim Focus informou ainda que o mercado financeiro reduziu suas projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2018, de 3,49% para 3,45%. Já a estimativa de inflação para 2019 passou de 4,03% para 4,00%. Em relação ao dólar, a previsão para 2018 passou de R$ 3,37 para R$ 3,40. Para 2019, a expectativa continuou em R$ 3,40. Em relação ao dólar, a previsão para 2018 passou de R$ 3,37 a R$ 3,40. Para 2019, a expectativa continuou em R$ 3,40. Para os juros, a expectativa para a Selic em 2018 continuou em 6,25% ao ano. No caso de 2019, a projeção para ficou em 8% ao ano.

https://www.dci.com.br/economia/mercado-diminui-de-2-7-para-2-5-expectativa-de-alta-do-pib-em-2018-1.706619

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