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16 de outubro, 2019

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O hipersortimento é bom?

Varejo e indústria precisam encontrar o equilíbrio para evitar sufocar os consumidores com muitas novidades. Confira o artigo de Tania Zahar Miné

 

Por: Tania Zahar Miné

Crédito: Pexels

 

Em tempos de mudanças no comportamento dos consumidores e restrição no orçamento, os brasileiros estão mais reticentes na hora das compras no que diz respeito a escolha de produtos e serviços, comparando preços e benefícios oferecidos pelas marcas. Nesse contexto, na ânsia de aumentar as vendas, muitas empresas buscam inovar e lançar novas soluções para se diferenciar dos concorrentes e chamar a atenção dos shoppers. Os varejistas incorporam esses produtos nas lojas com objetivo de incrementar seus resultados também. Consequentemente, a variedade ofertada nas redes de varejo aumenta significativamente.

Uma pesquisa realizada pela Nielsen em supermercados e hipermercados no Brasil, demonstrou que mais de 60% das categorias apresentavam mais itens novos que descontinuados em supermercados e hipermercados. Isto quer dizer que a complexidade do sortimento está aumentando na cadeia como um todo, tanto na indústria quanto no varejo. Sem esquecer dos consumidores que se sentem atordoados com a enxurrada de opções que dificultam a navegação nas lojas físicas ou digitais, como também a escolha das suas marcas favoritas.

Um outro efeito do hipersortimento é a complexidade na gestão da demanda dos produtos, de um lado a indústria não reduz o portfólio para não perder visibilidade, presença e market share, por um outro lado, o varejo não tem capacidade para gerir a complexidade em todas as categorias de produtos com a profundidade do item a item.

Em decorrência, nota-se também um aumento da ruptura que saltou de 11% para 16% nos últimos doze meses segundo a Neogrid. É claro que a ruptura é um problema com múltiplas causas, que vão muito além do sortimento, mas não podemos ignorar que a complexidade na gestão da cadeia estendida entre varejo e indústria deve ser reduzida para um aumento da eficiência dos processos e da eficácia dos indicadores.

Na minha experiência sempre lutei para a redução do número de itens, a descontinuação da curva C, porém encontrei muita resistência nas empresas. Por outro lado, muitas redes varejistas de diversos segmentos têm levantado a bandeira da simplificação no número de itens junto aos fornecedores. Está aí uma decisão que deveria ser tomada de maneira colaborativa, nos planos de negócios anuais, olhando para o longo prazo.

A solução para esta questão do hipersortimento não é simples, precisamos levar em conta muitos fatores em todos os elos da cadeia e avaliar: estamos agregando valor aos clientes e aos negócios?

 

https://portalnovarejo.com.br/2019/07/hipersortimento-e-bom/

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