21 de setembro, 2018

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Sudeste fecha 2017 no negativo como lanterninha da recuperação

Em 2017, o Maranhão foi o destaque entre os estados.

 

O Sudeste foi a única região a registrar queda da atividade econômica em 2017, indica levantamento feito pelo Itaú Unibanco e obtido com exclusividade pela Folha.

Responsáveis por mais da metade de tudo o que é produzido no país, São Paulo, Rio, Minas e Espírito Santo tiveram queda de 0,7% no PIB (Produto Interno Bruto) combinado e acabaram ditando o ritmo moderado de expansão da economia como um todo no ano passado (+1%).

Todas as outras regiões do país cresceram acima do PIB em 2017, com destaque para os grandes produtores agrícolas. Alguns fatores ajudam a explicar a parada daquela que é considerada, por seu tamanho, a maior locomotiva do Brasil.

Artur Passos, economista do Itaú, diz que a crise no setor do petróleo, com queda do investimento e da renda, afetou em especial Rio e Espírito Santo. “Havia toda uma cadeia de construção, um boom imobiliário ligado ao petróleo, que perdeu força ao longo da recessão”, diz ele.

O forte desequilíbrio fiscal que atingiu também Minas Gerais e a alta do desemprego que penalizou o maior mercado de trabalho do país — São Paulo — explicam o desempenho da demora da região.

Em meio a dificuldades no âmbito econômico e social, o Rio teve queda de 2,2% do PIB, a segunda mais forte registrada entre todos os 26 estados e o Distrito Federal.

São Paulo caiu bem menos (-0,3%), mas o efeito desse recuo sobre o desempenho geral não é desprezível: o estado responde por cerca de um terço da economia do país.

“Mesmo tendo ficado para trás, é bom lembrar que o Sudeste tem uma renda importante e uma arrecadação que viabiliza investimentos e programas sociais em outras regiões”, diz Passos.

O melhor desempenho ficou com o Sul (+3,4). Norte e o Centro-Oeste cresceram em ritmo acelerado, ambos ao redor de 2,5%. O PIB da região Nordeste cresceu 1,7%.

Olhando para um período mais longo, porém, desde o segundo trimestre de 2014, considerado o início da recessão, apenas um punhado de estados consegue alcançar um nível econômico superior ao registrado lá atrás.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga os dados regionais, mas com defasagem. As informações disponíveis hoje são de 2015 e, portanto, não permitem avaliar como a recuperação vem se distribuindo nos diferentes estados.

Esses dados foram replicados a partir dos levantamentos de produção agrícola, produção industrial, emprego formal, o Caged, e da pesquisa mensal do comércio.

MARANHÃO CRESCE MAIS

Com exceção do Sudeste, o lanterninha da recuperação econômica, todas as outras regiões do país cresceram em 2017, com um efeito importante da forte produção agropecuária em estados espalhados por Sul, Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Olhando à frente, porém, a expansão esperada para o PIB (Produto Interno Bruto) deve ser bem mais disseminada, retirando o protagonismo dos estados movidos pelo agronegócio, diz Artur Passos, economista do Itaú Unibanco e autor do relatório.

O Itaú prevê crescimento de 3% para a economia neste ano e de 3,7% em 2019.

Em 2017, o Maranhão foi o destaque entre os estados. Após um período morno em 2016, a safra agrícola recorde e a extração de minério justificam o desempenho extraordinário do estado.

Com uma fatia pequena do PIB, de 1,4%, o estado produtor de soja e arroz cresceu 9,7%, acima da alta de 1% da economia como um todo.

O Nordeste, região que crescia de modo mais acelerado antes da recessão, cresceu 1,7% no ano passado.

O fenômeno climático La Ninã, diz Passos, que predominou em 2017, favoreceu o volume de chuvas em áreas produtoras do Nordeste.

Além do Maranhão, Piauí e Tocantins, no Norte, completam a trinca da extensão agrícola conhecida como “mapito”, todos com alta superior ao PIB.

O Sul registrou o crescimento mais expressivo. Na região, o destaque foi o Paraná, grande produtor de trigo e milho. No Centro-Oeste, o maior produtor de soja do país, Mato Grosso, cresceu 8,7%, muito acima da média nacional.

A análise de um período maior, que vai do segundo trimestre de 2014, fim do último ciclo de expansão, até o ano passado, mostra que o PIB do país está 5,3% mais baixo.

REAÇÃO

Neste período, no entanto, alguns estados já conseguem mostrar reação, em especial no Norte, com cinco deles com desempenho acima do pico anterior.

Para Passos, com uma economia pequena –o Norte representa 5,5% do PIB–, a região pode ter sido menos afetada pelos fatores que causaram a recessão, como a piora do balanço das empresas e o ciclo forte de elevação dos juros para combater a inflação.

O economista diz que estados cuja participação de recursos vindos de programas sociais é grande também podem ter sido menos afetados pela crise.

“Em geral, as regiões menores se comportam de modo diferente de São Paulo, por exemplo, que tem uma relação grande com PIB agregado”, diz o economista.

Passos cita ainda a movimentação do porto de Santarém, no Pará, e o desempenho da Zona Franca, em Manaus. FLAVIA LIMA FOLHA DE SPAULO.

 

 

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