19 de junho, 2021

Notícias

Home » Destaques » Brasil continuará com economia ‘bipolar’ em 2022, mesmo com avanço do PIB

Brasil continuará com economia ‘bipolar’ em 2022, mesmo com avanço do PIB

pexels

Por Roberta Vassallo

economia brasileira deverá zerar em 2021 as perdas de atividade causadas pela pandemia do coronavírus. Apesar de estimativas de um avanço do PIB de, pelo menos, 4% ao ano, o crescimento que acompanhará o país no ano que vem deve seguir desigual, mantendo o setimento de uma economia “bipolar”, com prosperidade de alguns setores, como o agronegócio, e dificuldade de outros com o aumento da desigualdade e do desemprego. A avaliação é do economista-chefe da consultoria MB Associados, Sérgio Vale.

“Haverá uma economia feliz com a situação, relacionada a Estados com peso forte de commodities, mas uma parte da população, especialmente nos grandes centros urbanos que talvez esteja mais descontente, sem emprego ou com salário menor e sendo achatada pela inflação”, afirmou. “Houve um aumento muito forte da desigualdade, então chegando no ano que vem, haverá uma economia bipolar voltando”, pontua o economista no último episódio do podcast EXAME Política (ouça abaixo na íntegra).

As previsões para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano têm sido ajustadas para cima depois da divulgação da atividade econômica do Brasil pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no primeiro trimestre, que veio com crescimento de 1,2%, acima do esperado.

O economista pontua que os dados de atividades, como o varejo, em abril, que foi o mês com o maior impacto das medidas de contenção da segunda da covid-19, apontam para um segundo trimestre também melhor do que anteriormente esperado. “Nessa trajetória sinalizada no primeiro semestre, eu diria que a gente consegue neste ano entregar tudo o que se perdeu no ano passado, está caminhando para isso”, avalia.

Com a alta dos preços da commodities, a agropecuária foi a atividade que mais cresceu no primeiro trimestre.

Ao mesmo tempo, o Brasil registrou no primeiro trimestre o recorde de desemprego da série histórica iniciada em 2012. A situação atingia 14,7 milhões de pessoas ao fim dos três primeiros meses do ano.

Mesmo com a previsão de retomada dos demais setores da economia até o final do ano, Vale acredita que o país deva entrar em 2022 ainda com a dicotomia.

“Os Estados que estão tendo forte crescimento de PIB agora são justamente os da fronteira agrícola, do centro-oeste, do interior do país”, afirmou. “São Estados que têm cerca de 70% da sua economia dependendo do agronegócio. Há um estímulo forte nesse setor que acaba se espalhando para o resto das economias nessas regiões. Então a agricultura e as commodities vão dar um tom importante especialmente nessas regiões em 2022”, avalia.

“O problema é justamente a outra parte. Há uma economia que está muito bem nessa questão das commodities, e há uma economia ‘tradicional’ que está muito mal.”

Além do desemprego, que afeta 14,7% da população e se soma a um contingente adicional de 5,9% de desalentados, que desistiram de procurar emprego, e outros 30% de subocupados, o país seguirá enfrentando uma inflação elevada. A alta de preços, que foi a maior em 25 anos em maio, deve afetar principalmente a população de baixa renda.

“Há uma pressão muito maior justamente em cima de quem é mais pobre, porque os preços que estão subindo com mais intensidade são justamente aqueles dentro da cesta básica do consumidor mais pobre”, ressalta.

Ampliação de auxílio e transferência de renda

Diante da situação, o economista afirma que o debate sobre a ampliação de benefícios sociais e transferência de renda será incontornável. O governo federal já sinalizou que pretende lançar um programa de renda que amplie os benefícios fornecidos hoje principalmente pelo Bolsa Família. Até lá, o ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou a extensão do auxílio emergencial até setembro a R$ 250 reais por mês.

“O papel do Estado hoje vai ter cada vez mais esse foco de ajudar a população e renda básica é um desses elementos. Essa discussão é incortonável”, afirmou.

Na visão de Vale, o governo deverá encontrar espaço no Orçamento do ano que vem para lançar um aumento de benefícios. A questão foi a principal dificuldade encontrada para o avanço da discussão no Planalto no ano passado.

O orçamento de 2022 terá um espaço de cerca de 100 bilhões de reais além do que teve o deste ano, que foi o centro de uma disputa por recursos que o governo havia destinado a emendas parlamentares.

Como a regra do teto de gastos define o limite para o ano seguinte com base na inflação de meados da metade do ano anterior, o governo deverá se beneficiar da alta inflacionária atual, que em maio, no acumulado de 12 meses, chegou a 8,03%.

https://exame.com/economia/brasil-devera-ter-recuperacao-com-economia-bipolar-em-2022/

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Abrir chat
Precisa de ajuda?
Olá! Tudo bem?
Como podemos te ajudar?