26 de outubro, 2020

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Chegou a hora de virar a chave na gestão

A pandemia trouxe algumas respostas que todo empresário precisava. A mais importante é como fazer a mesma coisa com menos (recursos financeiros e humanos, principalmente). “O ‘novo normal’ dos organogramas simplificou muita coisa”, aponta o consultor empresarial Renan Galdino.

Para quem ainda não percebeu a mudança, o especialista em gestão de negócios e marketing Eber Feltrim dá um recado claro: “A chave tem de ser mudada já. Depois, já era. Antigamente, dava tempo de a empresa esperar a resolutividade da sociedade. Hoje, tem de criar rápido uma nova roda, um modus operandi totalmente novo. O mercado não suporta mais empresas sem isso. A pandemia obrigou o empresário a virar a chave agora. Empresas meramente reativas não vão sobreviver”, garante.

Para Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar), a crise ensinou a viver com menos e obrigou as pessoas a serem mais criativas. “As novas formas de interação e muitas das experiências vividas estão sendo percebidas como potencialidades e devem permanecer como um valor”, atesta.

Felisoni cita Alexandre Dumas, que diz ser preciso pressão para fazer estourar a pólvora, e a compara ao momento atual. “A pandemia pressionou as empresas a se tornarem mais produtivas em tudo: nas compras, na gestão do estoque, na utilização de pessoal. Isso vai permanecer. O novo normal é isso; a crise suscitou soluções”, diz.

Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Ibevar

 

Não espere a vacina chegar

Renan Galdino, consultor empresarial

Para Galdino, o momento seguinte à chegada de alguma vacina tem de ser planejamento desde já. “O empresário deve ter tudo organizado e planilhado, usar a tecnologia e rastrear melhor produtos, estoque e desperdício, além de olhar para a economia sustentável”, justifica.

Ele lembra que, de todos os segmentos, o varejista de alimentos foi um dos que menos sofreram na pandemia, mas deve, sim, se beneficiar com a melhora do clima pós-covid. Desta forma, a produtividade, que envolve não só a capacidade operacional, mas também a de obter crédito, deve continuar sendo aprimorada. “Tem muita empresa que engasga na produtividade por falta de recursos”, alerta.

De acordo com ele, os preços são hoje “uma condição de fora para dentro” e será difícil recompor as tabelas, visto que as famílias estão endividadas e que a renda caiu. Por isso, o planejamento é primordial para entender o que há de mais lucrativo na carteira, quais são os itens que contribuem mais e com retorno mais rápido.

Ele recomenda ainda buscar linhas de crédito não só para pagar contas velhas, mas para investir (capital de giro). “O comerciante pode intensificar as vendas via cartão e fazer a antecipação de créditos. O cartão também pode ser a garantia para operações de mais longo prazo”, sugere. Os empresários devem buscar o banco e alongar o endividamento financeiro. Junto a isso, devem verificar toda possibilidade de redução de despesa interna e olhar diariamente a real necessidade de gastos e estoques.

O setor está sendo muito impactado pela variação cambial e é impossível armazenar como no passado, o que impõe a gestão mais de perto do estoque, todo dia, com apostas certeiras em produtos mais rentáveis e de giro rápido. Neste sentido, é bom saber quais itens são viáveis manter na gôndola e ficar antenado para ver se não é possível desenvolver novos fornecedores e produtos.

 

Análise de dados é essencial

Eber Feltrim, especialista em gestão de negócios e marketing

As empresas precisam ser ativas nesse cenário e não reativas. Pensando nisso, não dá para desconsiderar a relevância de transformar dados em tomada de decisão, por meio de inteligência artificial (AI), business intelligence (BI) e machine learning. “A análise das informações deve trazer ações concretas para obter vantagens estratégicas, indicando quais os caminhos para aumentar o tíquete médio, por exemplo”, afirma Eber Feltrim.

Um fator essencial a ser estudado, aponta, é o conforto do cliente, elemento que aumenta a energia de ativação de compra. “Se o consumidor tiver um QR Code que o leva a um site já com seus dados colocados, para só clicar, claro que vai elevar a possibilidade de compra”, comenta Feltrim. Se estiver aliado a um delivery ou a um sistema leva e traz, melhor ainda.

O consultor alerta, no entanto, que mesmo com todas essas ferramentas, o que faz a máquina no comercio varejista produzir são as pessoas. “Quanto mais competência e competitividade, mais na frente a empresa sairá na pós-pandemia, porque terá mais produtividade num custo operacional menor. O ponto não é enxugar, mas controlar os custos de modo que sua produtividade não caia. Não adianta demitir um colaborador que faça gol”, garante.

Um bom caminho, revela, é formar parcerias com outras empresas, como no caso de compartilhar o sistema de delivery. “Naturalmente, isso se torna muito mais eficaz e barato para empresa e cliente. É um bom exemplo de competitividade, uma boa herança que esse momento vai deixar. O mercado não precisa esperar encher com uma carga própria para colocar o veículo na rua. O motorista pode levar essas compras mais as do pet shop e da farmácia, por exemplo.”

 

Outro fator importante é treinamento. Feltrim recomenda qualificar melhor a equipe no aspecto comportamental, para que entregue excelência e engajamento com o cliente. “O bom colaborador nem sempre tem perfil estritamente técnico. O melhor é aquele que cativa o cliente, até porque o consumidor que vai embora leva consigo o dinheiro”, adverte.

 

PÓS-PANDEMIA: O QUE FAZER DESDE JÁ

  • Melhore a eficiência e o uso da tecnologia de controle e rastreio de estoque, processos produtivos e vendas
  • Venda mais por meios eletrônicos sem riscos
  • Alongue o passivo bancário
  • Elimine do estoque produtos sem giro
  • Treine os colaboradores para ter um atendimento excelente
  • Organize e planeje as rotas logísticas
  • Comece a implementar o conceito de produção sustentável

 

Fonte: Renan Galdino Consultoria Empresarial

 

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