02 de março, 2021

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Custo de vida desacelera na RMSP, mas inflação de alimentos ainda pressiona orçamento das famílias mais vulneráveis

No acumulado dos 12 meses, grupo de alimentos e bebidas ficou 10,92% mais caro; para classe E, aumento do custo de vida é o dobro do da classe A

O custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) registrou sua menor taxa de crescimento em oito meses, fechando janeiro com uma alta tímida de 0,08%, mostra a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) por meio da pesquisa de Custo de Vida por Classe Social (CVCS). O resultado vem depois de aumentos expressivos em dezembro (1,22%), novembro (1,10%) e outubro (1,11%) e é o mais baixo desde maio de 2020, quando o índice registou sua última retração (-0,46%).

A estabilidade do custo de vida em janeiro na Região Metropolitana de São Paulo se deve principalmente à desaceleração dos preços de alimentos e bebidas: depois de crescerem 1,28% em dezembro e 2,59% em novembro, eles ficaram apenas 0,17% mais caros em janeiro, segundo os dados da Federação.

Agora, por sua vez, o grupo mais inflacionado é o de transportes que, entre dezembro e janeiro, subiu 0,66% – puxado pelo aumento das franquias de seguros de automóveis (5,12%) e pelos reajustes de combustíveis como o etanol (2,29%) e a gasolina (1,12%) realizados neste mês.

Por outro lado, o custo de vida na RMSP caiu também por causa da retração de 0,84% no custo da habitação, influenciado pela mudança da bandeira de cobrança de energia elétrica, da vermelha para a amarela, reduzindo a conta de luz em 6,53% no mês.

No acumulado dos últimos doze meses, no entanto, o custo de vida registra alta expressiva de 4,27%, muito por causa da inflação dos alimentos e bebidas, que já é de 10,92% entre janeiro de 2020 e o período atual.

Como esse grupo corresponde a 22,4% do resultado total do custo de vida das famílias na região, o aumento ainda pressiona significativamente o orçamento das famílias mais vulneráveis desde o fim do auxílio emergencial do governo federal e em meio às maiores médias móveis de mortes por covid-19 desde o início da pandemia. O fez com que novas medidas de restrição de circulação fossem implementadas.

Isso se vê também no desequilíbrio dessa conta no bolso das classes sociais: enquanto a alta foi de 6,10% para a classe E entre janeiro de 2020 e o mesmo mês de 2021, ela ficou em 3,20% para a classe A. Foi a classe D, no entanto, que experimentou o maior aumento dos preços no seu orçamento: 6,31%. Dela em diante, conforme se avança entre os estratos, a taxa cai: 4,47% para a classe C e 3,47% para a classe B.

Para a Federação, isso se explica pela inflação dos preços dos alimentos, que também foi quase duas vezes maior para as classes com rendas mais baixas: enquanto esse grupo de produtos teve crescimento de 15,49% para a classe E, ele foi de 8,80% para a classe A. A mesma coisa se vê nos dados dos demais estratos: 15,23% de alta para o orçamento da classe D; 11,30% para a C; e 8,04% para a B.

Além dos alimentos, o grupo de artigos de residência também registra alta acumulada de 9,37% desde janeiro do ano passado, puxada pela demanda maior por itens domésticos para a quarentena.

Varejo sobe, serviços caem

O Índice de Preços do Varejo (IPV), que mede a inflação entre varejistas, registrou sua menor alta desde julho de 2020, ficando em 0,62% em janeiro – naquele mês, ele cresceu 0,57%. É, assim como a CVCS, uma desaceleração significativa, levando em conta que, em 2020, o indicador subiu 1,01% em dezembro, 2,01% em novembro e 1,22% em outubro. No acumulado de 12 meses, o aumento é de 7,51%.

Entre janeiro de 2021 e dezembro de 2020, a maior alta foi do grupo de educação (2,10%), seguido pelo de transportes (1,63%) e pelo de habitação (1,29%). No primeiro caso, o aumento se explica pelo período de volta às aulas, a partir de fevereiro. O aumento nos transportes, por sua vez, se justifica pelas altas dos combustíveis, enquanto o de habitação foi puxado pelas altas em itens como o botijão de gás (3,78%) e o sabão em pó (3,66%).

Já o Índice de Preços de Serviços (IPS), por sua vez, retraiu 0,49%, apesar da variação para cima de 0,91% no acumulado dos últimos 12 meses.
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Nota metodológica

CVCS

O Custo de Vida por Classe Social (CVCS), formado pelo Índice de Preços de Serviços (IPS) e pelo Índice de Preços do Varejo (IPV), utiliza informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE e contempla as cinco faixas de renda familiar (A, B, C, D e E) para avaliar os pesos e os efeitos da alta de preços na região metropolitana de São Paulo em 247 itens de consumo. A estrutura de ponderação é fixa e baseada na participação dos itens de consumo obtida pela POF de 2008/2009 para cada grupo de renda e para a média geral. O IPS avalia 66 itens de serviços, e o IPV, 181 produtos de consumo.

 

https://www.fecomercio.com.br/

 

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