22 de outubro, 2021

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Inclusão social passa a ser prioritária para o varejo de alimentos

Coexistir de modo pleno, sem preconceitos, discriminação ou assédio é, sem dúvida, um objetivo que deve ser perseguido pela sociedade. E o comércio varejista de alimentos passou em 17 de junho a se comprometer de modo mais efetivo e integrado com isso a partir de um Acordo de Cooperação Técnica assinado entre Sincovaga, Federação dos Comerciários do Estado de São Paulo (Fecomerciários) e Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE-SP).

O foco é promover a inclusão social de pessoas com deficiência e/ou beneficiárias reabilitadas da Previdência Social. A meta é envolver as empresas varejistas de alimentos com mais de 100 funcionários que ainda não completaram a meta de ter 5% de seus colaboradores conforme determina a Lei Federal nº 8.213/91 (conhecida como Lei de Cotas).

Cerca de 90 empresas do setor estariam em falta perante a lei. A ação pioneira estabelece o dia 31 de outubro de 2021 como prazo final para que elas adiram voluntariamente ao acordo e admitam pelo menos 10% mais pessoas com deficiência. As que cumprirem essa etapa, ganham o direito de negociar mais tempo com a SRTE sem que haja sanções dos auditores fiscais.

“É sempre muito prazeroso e necessário quando falamos da inclusão como forma de entender a diversidade de modo positivo”, disse o auditor Fiscal do Trabalho José Carlos do Carmo, coordenador do Projeto Estadual de Inclusão da Pessoa com Deficiência no Estado de São Paulo, durante a cerimônia on-line de assinatura do acordo.

 

Coexistir na linha de frente

O Sincovaga vem realizando iniciativas de incentivo à inclusão social desde 2013, por meio do programa Coexistir Valor Humano. Ao longo desse tempo, o programa deu suporte a 18 empresas – a maioria delas conseguiu cumprir 100% da cota, como os Supermercados Yamauchi e o Assaí Atacadista, que sozinho contratou em 2020 mais de 580 pessoas com deficiência.

Agora, o Sincovaga aposta no acordo para fazer subir o sarrafo de sua atuação no apoio e acompanhamento de campanhas de valorização da diversidade humana e no estímulo à capacitação profissional.

“Trabalhamos há anos expressivamente com o Coexistir nessa pauta. Queremos que as empresas não só cumpram a lei, mas também mudem a mentalidade. Essa interação entre empresas e seus representantes é muito importante”, afirmou Alvaro Furtado, presidente do Sincovaga.

Segundo Maria de Fátima e Silva, responsável pelo programa, o acordo dá tempo às empresas maiores, que precisam contratar mais pessoas pela Lei de Cotas. “A figura dos sindicatos é fundamental para validar as tratativas com os auditores fiscais, que têm a prerrogativa de definir o modelo do Termo de Compromisso a ser estabelecido”, afirma.

Ela ressalva que esse prazo estendido carrega consigo a obrigação de executar um plano efetivo de ação para cumprir a Lei de Cotas. O Coexistir acompanha o processo, por meio de um grupo de trabalho com as empresas, e ajuda a planejar o trabalho com metas periódicas”, explica.

Fátima lembra que cabe ao fiscal propor ou aceitar a assinatura do Termo de Compromisso, mas destaca que a determinação da SRTE é de que todos os auditores o aceitem até 31 de outubro. “A iniciativa do Sincovaga de trabalhar junto com a Fecomerciários contribui para atingir um número maior de empresas”, conta.

Yamauchi é destaque em inclusão de PCD

Yamauchi é destaque em inclusão de PCD

 

Mapeamento e site acessível

Fátima anunciou que, além da criação de um grupo de trabalho, será feito o mapeamento regional de parceiros e serviços públicos e privados ligados a PCDs; a avaliação das condições de acessibilidade dos próprios sindicatos locais; a criação de manuais com vários temas, entre eles um de orientação para esse público, e de um blog com orientações sobre qualificação e inserção no mercado.

O Sincovaga desenvolverá ainda um site acessível para cadastrar vagas e profissionais. A primeira iniciativa do tipo foi lançada recentemente pelo Assaí: o Hand Talk Hugo, assistente virtual que traduz conteúdos de textos e vídeos na Língua Brasileira de Sinais do seu site – 5,3% dos colaboradores têm deficiência.

E a Universidade Assaí criou um curso de libras. “Nossos sites, intranet e ferramenta de atratividade e seleção são acessíveis às pessoas com deficiência auditiva. Desde a implantação, a ferramenta Hugo já traduziu 12,5 milhões de palavras”, calcula Sandra Vicari, diretora de Gestão de Gente e Sustentabilidade do Assaí.

 

Qualidade da inclusão

O Coexistir também persegue o aumento da qualidade na inclusão. Para isso, conta com um trabalho de análise de adaptação de postos de trabalho para PCDs, em vários tipos de estabelecimentos. “É mais do que cumprir cota. Com essas iniciativas, podemos entender melhor os desafios e as singularidades de cada segmento do setor de alimentos”, diz Fátima.

A ideia é eliminar empecilhos à contratação. “Quanto mais avançamos no detalhamento do ambiente de trabalho, mais vamos derrubando a ideia de haver atividades que não permitem a inclusão. Não é possível dizer que só dá para colocar o PCD em um lugar, ou que é mais fácil colocá-lo em determinado posto. Não existe atividade específica para o PCD”, alega.

“Independentemente de qualquer fator, incluir é o melhor caminho para que sejamos surpreendidos com as potencialidades e aplicabilidade plena dos trabalhos em nossa empresa”, garante Sandra, do Assaí, que soma 186 unidades e teve 192 colaboradores com deficiência participando de um dos processos seletivos internos em 2020.

Para contratar mais, a rede ampliou a atração de profissionais, reforçando a parceria com ONGs pelo Brasil. “Trabalhamos para uma cultura inclusiva, em que mais de 2.500 colaboradores com deficiência foram treinados pelo ‘Protagonize sua Carreira’, que promover o engajamento deles apoia seu desenvolvimento e prepara para oportunidades de crescimento”, ressalta.

O varejo não tem muita dificuldade em empregar PCDs, muitos deles sem atratividade em outros setores, como os deficientes intelectuais para os bancos. O Assaí, por exemplo, oferece vagas em diferentes posições – inclusive de liderança, além de oferecer-lhes um plano estruturado de carreira. “O problema nunca é a deficiência, mas a falta de estrutura oferecida a ele no local de trabalho”, diz Fátima. “Uma rede já teve um deficiente visual como repositor”, conta ela.

 

Ótima relação

A maioria é alocada no atendimento ao público. “Não temos restrições. Buscamos incluir a pessoa, mesmo que sua experiência tenha sido em outra área ou que nunca tenha trabalhado”, afirma Roberta Bianchi, analista de Recursos Humanos do Yamauchi. “O supermercado dá uma chance para começar”, completa.

A Lei de Cotas é cumprida há muito tempo pela rede. Roberta conta que os 40 profissionais estão plenamente inseridos, do açougue à tesouraria. “Conheço todos. Converso muito com cada um. Os líderes, colegas e clientes adoram conviver com eles e a relação com os gerentes é ótima”, diz.

Segundo ela, o Yamauchi não tem problema de rotatividade nem para cumprir as cotas. Há apenas restrições em postos como de operador de caixa para os deficientes intelectuais. “Falo com eles sobre a importância do trabalho. Muitas vezes, uma simples mudança de horário ou de escala resolve qualquer dificuldade”, diz.

O Assaí, por sua vez, oferece treinamento de carreira personalizado para profissionais com deficiência, acessibilidade nas unidades e um calendário de promoção da diversidade com ações internas.

 

Nathália Barboza (Presstalk Comunicação)

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