07 de agosto, 2020

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Meios de pagamento têm cada vez mais tecnologia e menos papel

Nessa era do “não me toque” da Covid-19, a transformação digital do varejo ganhou um ritmo alucinante e, se antes da pandemia o dinheiro em espécie já começara a minguar nos supermercados, daqui em diante pode ser que ele seja cada vez mais raro.

Conforme a segunda edição do estudo “Panorama dos meios de pagamento no varejo brasileiro”, divulgada em junho pela SBVC (Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo), em parceria com a OfferWise, o percentual de pagamentos de compras feitas com dinheiro em supermercados sofreu uma queda significativa: baixou de 23%, em 2018 (data da primeira edição do panorama), para 16% agora. O meio mais utilizado continua sendo o cartão de débito (31%).

A resposta do setor ao mercado de pagamentos do Brasil vem sendo toda tecnológica: carteiras digitais, QR Codes, parcerias com empresas de cashback e marketplaces. O percentual de consumidores que pagam via aplicativo, por exemplo, saltou de apenas 4% em 2018 para 21% agora. A opção de pagamento móvel é oferecida por 62% das empresas, sendo que há dois anos era de somente 13%.

A pandemia provocou uma aceleração tão significativa no uso de meios alternativos que carteiras digitais e pagamentos via app nem são mais considerados tendência pela SBVC como eram em 2018. Segundo o presidente, Eduardo Terra, “não é exagero dizer que avançamos cinco anos em cinco meses”. O cashback, que recompensa o cliente pelo uso do app, por sua vez, chama atenção: subiu de 17% para 25%.

Nos últimos 12 meses, 70% das empresas entrevistadas fizeram alguma mudança em sua estratégia de meios de pagamento e 58% delas modificaram suas estratégias para lidar com a pandemia.

Rodrigo Andrade, diretor de Food da software house Linx

 

Pix: nova era de pagamentos

Agora, esse mesmo mercado deve entrar em outra era com o chamado pagamento instantâneo Pix, que deve chegar em novembro prometendo revolucionar a oferta de transações financeiras. A expectativa é grande: a operação Pix será muito mais rápida: similar à TED e ao DOC, vai usar o QR Code via celular, como se fosse um pagamento no débito, e será efetivada em tempo real, a qualquer horário, até aos domingos, feriados e nas madrugadas.

“O formato de pagamentos a distância, sem contato e sem exposição de dados bancários e pessoais por parte do cliente, é uma tendência grande. A estratégia escolhida nesse momento será o indicador de como o negócio performará após a pandemia”, afirma Rodrigo Andrade, diretor de Food da software house Linx, que oferece pagamento via QR Code (o QR Linx). O modelo unifica compras por leitura de código das principais carteiras digitais do mercado em um único display, ocupando menos espaço de PDV e facilitando a conciliação dos recebíveis.

Segundo Vagner Moreira, gerente comercial da Gerencianet, que oferece contas digitais, o perfil do consumidor vem mudando e trazendo junto o varejo. “É uma tendência os serviços serem direcionados ao multicanal, seja de atendimento, vendas ou de pagamentos”, diz. Para Andrade, “a diversificação dos meios de pagamento para o varejo alimentício é ainda mais fundamental, já que este é um dos setores mais impactados pelo isolamento social”.

Vagner Moreira, gerente comercial da Gerencianet

Por uma conta digital para negócios, por exemplo, é possível emitir boletos e carnês, receber em cartão de crédito, via assinaturas, links ou botão de pagamentos. “No cenário atual, o link de pagamento se torna uma solução interessante para receber a distância por meio de cartão de crédito, sem necessidade de aluguel ou compra de maquininha”, explica Moreira. Já o botão de pagamentos serve muito bem para vendas via redes sociais, sites, blogs ou WhatsApp.

Em geral, contas digitais são gratuitas, sem mensalidades ou pacotes de serviços. Paga-se apenas uma tarifa por recebimento. “Este modelo se torna vantajoso tanto para altos volumes de transações quanto para menores”, atesta Moreira.

Segundo ele, em alguns casos a tarifa é fixada em moeda e, em outros, em porcentagem, então é bom analisar a margem de retorno da empresa antes de adotar qualquer opção. “A análise permite, inclusive, criar campanhas comerciais para incentivar o pagamento por uma ou outra”, completa.

 

Recebe na hora

O app de conta de pagamentos iti, do Itaú, foca no pequeno lojista, autônomo e microempreendedor. Dá para receber com cartões sem precisar do uso de maquininha e cartão físico. Segundo o diretor do iti, João Araújo, assim é possível garantir que o varejista receba suas vendas “sem precisar esperar, tanto no débito como no crédito”.

Araújo revela uma “guinada radical” no comportamento dos consumidores a partir da pandemia e do isolamento social e diz que, diante disso, o momento “não é mais só sobre evoluir na velocidade e com a qualidade que os clientes digitalizados esperam, mas também sobre ter um cuidado com aqueles que eventualmente não estavam tão confortáveis ou não tinham o hábito de utilizar aplicativos e precisaram se adaptar rapidamente”.

Segundo ele, além de trazer mais praticidade e segurança ao consumidor, a modalidade oferecida pelo iti tem um diferencial importante: “o comerciante recebe na hora, inclusive em pagamentos via crédito”.

Os pagamentos podem ser feitos pelo próprio celular, por QR Codes impressos em pontos de venda ou via maquininhas da Rede sem fio, que poderão gerar o código em suas telas (as operações realizadas de app para app são gratuitas). O iti não cobra mensalidades e nem um valor mínimo de faturamento.

Andrade lembra a relevância de planejar os próximos passos e integrar os canais de venda como uma forma de profissionalizar a gestão, ter maior controle do negócio, e assim, levá-lo a um outro nível, de crescimento e expansão. “O mais importante é o dono do negócio liderar essas iniciativas digitais, pois a perenidade do negócio é totalmente proporcional ao seu envolvimento. Buscar novos conhecimentos e continuar inovando são as armas importantes para enfrentar esse novo momento”, conclui o executivo.

 

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