29 de novembro, 2020

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Na guerra das maquininhas, vence o comerciante que comparar melhor

Bruno Dilda, diretor de negócios da Azulis

Andar com dinheiro vivo no bolso hoje em dia é raro, muito em razão da falta de segurança. Essa mudança de comportamento fez com que, gradativamente, o dinheiro de plástico superasse preconceitos, tornando-se mais acessível, até se aproximar da posição de modalidade de pagamento preferida pelo consumidor no comércio varejista de alimentos.

Tanto que, segundo dados do Banco Central, o número de transações com cartões de débito e crédito, que estavam em torno de 2,6 bilhões em 2005, passaram para cerca de 14,3 bilhões no Brasil em 2017.

Isso também reflete no dia a dia do empresário, que não precisa mais manipular um grande volume de dinheiro em espécie na loja, além da vantagem de facilitar a gestão do fluxo de caixa. Por todos esses fatores, não aceitar cartões hoje é praticamente perder vendas.

Mas se há unanimidade entre os lojistas de que os cartões de crédito e débito são aliados do negócio, quando o assunto é escolher a maquininha ideal para o estabelecimento o empresário se vê, literalmente, no meio de uma guerra “do bem”, tamanha a quantidade de opções (estima-se que existam mais de 50 tipos de maquininhas no mercado) e de soluções oferecidas pelas instituições financeiras atualmente.

Vamos listar adiante alguns pontos a serem avaliados na hora de pesquisar sobre as operadoras de cartão e seus produtos.

“Há vários critérios que devem ser levados em conta, como os modelos dos aparelhos (com ou sem bobina, que emitem ou não boletos, possuem ou não chip, etc.). Além disso, é fundamental entender quais bandeiras são aceitas pelas maquininhas. Em geral, MasterCard e Visa são as mais populares, no entanto, Amex e Elo são relevantes para alguns tipos de negócio”, diz Bruno Dilda, diretor de negócios da Azulis, plataforma que oferece soluções de pagamentos para MEIs e pequenas e médias empresas.

Na opinião dele, no setor de supermercados é interessante sempre ter as maquininhas com bobina e comprovante impresso. Também é importante conhecer o consumidor, pois a informação sobre o tíquete médio também ajudará o empresário a escolher a melhor opção.

“Cada maquininha apresenta uma especificidade com relação às taxas aplicadas. É essencial que o empreendedor avalie, junto ao seu público, os métodos de pagamento preferidos por ele. Além disso, a natureza do negócio pode ajudá-lo a determinar a modalidade de pagamento que deve ser privilegiada”, explica o executivo.

Por exemplo: se o empreendimento em questão for uma bomboniere, onde o tíquete médio das compras costuma ser menor, pode valer mais a pena optar por uma maquininha cuja taxa de débito seja mais vantajosa para o dono do negócio. Por outro lado, em uma loja de roupas, em que os clientes costumam gastar centenas de reais em uma única visita é mais provável que as compras sejam efetuadas no crédito parcelado com mais frequência. Neste caso, o empreendedor deve adquirir uma maquininha em que a taxa para esse tipo de pagamento seja mais vantajosa.

Por tudo isso, os empresários precisam ficar atentos às taxas praticadas por cada adquirente e se elas se adaptam ao seu tipo de negócio, ou seja, uma loja que vende mais no débito precisa ter uma maquininha com uma taxa mais vantajosa para essa modalidade.

“A questão é que normalmente os comerciantes pensam primeiro no preço dos aparelhos, mas esse deve ser um dos últimos critérios a avaliar. Isso porque, nos últimos anos, a competição nesse setor se acirrou bastante, o que barateou o preço de todas as maquininhas. Muitas vezes compra-se no impulso, por conta do preço baixo, sem avaliar os itens essenciais”, alerta Dilda.

Outro fator para o qual poucos dão importância são as questões técnicas, como bateria (pode ser pilha ou recarregável), garantia e qualidade e velocidade de conexão. Isso porque as maquininhas de todos os concorrentes normalmente são dos mesmos fabricantes, o que não as diferencia muito.

 

Comprar ou alugar, eis a questão – “Essa decisão dependerá muito do momento de cada negócio. Se há certeza sobre o tipo de modalidade de pagamento que o seu cliente prefere, vale já comprar um modelo em que ele é mais vantajoso”, aconselha o especialista da Azulis, empresa que criou um aplicativo que ajuda na escolha, o Comparador de Maquininhas da Azulis, e apoia sobre a melhor decisão para o negócio.

“As máquinas de aluguel são uma boa opção para quem quer ter mais relacionamento com a empresa de meio de pagamento e tem um fluxo mais alto de pagamentos, que justifique o provedor zerar o aluguel do estabelecimento comercial (“EC”). A vantagem desta modalidade é que normalmente por ter maior relacionamento, o EC tem mais vantagens e evolui junto com a empresa de meios de pagamento (novos produtos, serviços e melhores taxas)”, afirma.

É importante destacar também que a maior parte dos planos cobra taxas sobre as transações e, a depender do tipo de plano escolhido pelo lojista, a data em que ele receberá o valor da compra pode chegar a 30 dias, o que é ruim para quem tem pouco capital de giro. Antecipar esse valor é possível, porém sai caro e pode não compensar para o varejista.

“Nesse caso, o importante é entender a necessidade de caixa do negócio e ir atrás daquela oferta que faz mais sentido (seja com uma empresa que tem uma taxa ótima para receber em dois dias ou com uma empresa que não cobra a taxa de antecipação). No entanto, se não há fluxo de caixa para isso, a empresa corre o risco de ter problemas financeiros”, alerta o especialista da Azulis.

As diferentes maquininhas cobram taxas de desconto diferentes, que variam de 1,99% a 4,99%, a depender da modalidade de pagamento (débito, crédito ou crédito parcelado). “Daí a relevância de entender qual é o método de pagamento mais frequente dos seus consumidores. A classe C costuma pagar mais com débito e as classes B e A com crédito, porque possuem algum programa de milhas ou pontos atrelado ao cartão, além de efetuarem transações com tíquete médio mais alto”, completa o executivo.

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