01 de dezembro, 2020

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Novos hábitos na quarentena mudam perfil de vagas no setor

O Coronavírus acelerou enormemente as mudanças no varejo de alimentos do País. A situação atípica de isolamento social fez com que estabelecimentos de todos os portes e modelos tivessem de correr para o e-commerce, ou para aplicativos, o que gerou uma forte onda de transformação também no perfil de quem trabalha no setor.

O maior acesso a canais digitais para compras, seja com delivery ou retirada na loja, alterou o perfil das vagas abertas pelos supermercados nos últimos meses, além de ter promovido transferências de postos de trabalho de quem já estava empregado nessas empresas.

“O setor supermercadista não será mais o mesmo. As compras on-line e as formas alternativas de entrega, que ainda encontravam resistências de alguns grupos mais conservadores, vieram com tudo após o início da quarentena e passaram a ser vitais para a sobrevivência dos negócios”, avalia Eduardo Carvalho, diretor da Checkout RH, empresa de serviços de Recursos Humanos para supermercadistas. “Todos foram obrigados a direcionar seus esforços nesse sentido, e quem já estava com a lição de casa pronta saiu na frente.”

Beatriz Rocha Chagas da Silva, gerente do mercado Sempre Mais

Depois de estrear “devagar” em janeiro nas plataformas digitais, o Mercado Sempre Mais, localizado no Tatuapé, zona leste de São Paulo, sentiu o impacto da mudança. “Em abril, a procura pelo delivery tornou-se tão grande que, sem conseguirmos atender a todos, fomos obrigados a fechar por uns dias as vendas via iFood e Mercado em Casa”, revela Beatriz Rocha Chagas da Silva, gerente da empresa. Segundo ela, a alta demanda motivou a busca por um profissional que gerenciasse as vendas on-line, que respondem agora por 20% do faturamento do negócio.

Boa parte dos clientes do mercado são idosos. “Por isso, diminuiu muito a frequência presencial, mas cresceram demais os chamados por aplicativos. Acabamos dobrando para quatro os números celulares e contratando um profissional exclusivamente para gerenciar esse serviço. Além disso, deslocamos quatro operadores de loja (repositores) para separar os itens”, conta Beatriz.

Segundo ela, a maioria de quem opta por retirar a compra no local prefere que um entregador vá até o carro munido da maquininha de cartão, o que exige treinamento para manter a segurança sanitária. Para dar conta do aumento no fluxo de delivery, o Sempre Mais contratou ainda um novo motorista e adquiriu um veículo utilitário. “Essa mudança toda ajudou bastante a manter as metas e o nosso equilíbrio financeiro”, aponta a gerente.

 

Logística de pequenas coisas − De fato, a demanda do setor cresceu durante a pandemia apostando no delivery, atesta Valdeci dos Santos, diretor geral da ConSuper Consultoria de Supermercados. Segundo ele, teve cliente da consultoria que registrou 20% de aumento no volume de vendas. “Quem não havia iniciado esse processo de e-commerce se viu obrigado a fazer a transição de modo mais acelerado”, diz.

“O setor de supermercados era um dos mais atrasados em relação a isso e foi pego de ‘calça curta’ pela pandemia, com exceção dos gigantes Carrefour e Pão de Açúcar, que têm o suporte de empresas europeias já acostumadas com o on-line e com sistemas de entrega de mercadorias bem mais complexos, como o drive-thru”, lembra Alain Winandy, CEO da consultoria varejista Ciência do Varejo.

 

Alain Winandy, CEO da consultoria varejista Ciência do Varejo

No caso da retirada no estabelecimento, é preciso ter quem leve o pedido até o carro do consumidor, e isso demanda todo um protocolo de ação, para que o funcionário não toque no veículo. “Seis meses atrás, tudo isso nem existia no Brasil”, diz Winandy.

Muitas funções típicas da fase de pandemia surgiram de protocolos obrigatórios, como higienizar os carrinhos, distribuir luvas e máscaras, limpar mais vezes os sanitários e até medir a temperatura das pessoas ou controlar a quantidade de clientes ao mesmo tempo dentro da área de vendas.

“O perfil do pessoal que encaminhamos para as lojas se modificou. Temos buscado candidatos resilientes e abertos a mudanças, características essenciais para manter o bom desempenho nesse ambiente adverso decorrente do novo Coronavírus”, afirma Eduardo Carvalho, da Checkout RH, que destaca ainda o aumento de demanda por profissionais temporários, pelo ambiente de incerteza da economia, mas também para suprir as oscilações nas vendas e repor colaboradores afastados.

Valdeci dos Santos, diretor geral da ConSuper

Os supermercados correm para se adaptar e contratar pessoal que faça serviços de delivery e drive-thru. “Essa logística de pequenas coisas muda tudo e é novidade por aqui. Não havia oferta para esse tipo de distribuição, então muito varejista passou a chamar motoristas de Uber para conseguir atender a clientela”, recorda Winandy. “Hoje, o Carrefour já tem vários caixas exclusivos para entregadores Rappi. Mas esses prestadores de serviço têm um problema: eles ficam com toda a informação do cliente. O varejista perde a chance de conhecer o consumidor”, adverte.

Informação esta que também é a arma dos próprios consultores, outro profissional que tem sido mais requisitado nesses tempos de Covid-19. “A demanda aqueceu também para as consultorias de gestão, que agora trabalham remotamente, mas ganharam agilidade no atendimento ao varejista justamente por economizarem tempo no trânsito”, completa Santos, da ConSuper Consultoria.

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