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03 de junho, 2020

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O tempo não para – Palavra do Presidente

Quem já se dispôs a realizar uma reforma em casa sabe que é preciso coragem para começar, e paciência e flexibilidade para realizar, pois nem sempre o que foi previsto sai exatamente da forma e no ritmo planejados.

Esse exemplo doméstico ilustra bem o que tem ocorrido no mundo sindical, desde a reforma trabalhista, em novembro de 2017. Esta, se não foi a ideal, foi a possível e podemos dizer que até certo ponto foi um ato de coragem.

Dos mais de cem pontos modificados na CLT, o fim do imposto sindical foi o que gerou mais embates e debates. Trata-se de um baque não superado por uma parcela das entidades, principalmente as que não se prepararam para o futuro.

Desde então, os sindicatos de representação têm sido postos às mais duras provas. Não que os demais sindicatos, os de representatividade, não estejam enfrentando seus desafios, entre eles fazer com que seus representados enxerguem vantagem na relação custo-benefício. Entretanto, é inconteste o fato de que as mudanças vieram e são irreversíveis.

Se a reforma trabalhista impôs essa drástica restrição ao financeiro das entidades, situação que demanda sobretudo inteligência e planejamento para ser contornada, mais difícil ainda parece ser mudar mentalidades e posturas, o que não raro impede os atores de enxergar essa nova realidade.

Neste novo cenário tem de tudo: de representantes empresariais ávidos por acertar contas com sindicatos de trabalhadores que os incomodaram no passado a representantes de empregados priorizando suas receitas sindicais, propondo acordos coletivos a empresas que não respeitam princípios éticos.

Verdade é que, felizmente, boa parte das empresas e lideranças sindicais estão conversando e buscando, dentro das possibilidades e do momento, a harmonização das relações com a aceitação do novo e com resistência à retirada de direitos antes conquistados. Trata-se de um exercício de flexibilidade.

As últimas convenções firmadas pelo Sincovaga vêm acontecendo com muito trabalho, dezenas de horas de conversas e discussões para, finalmente, com concessões recíprocas, chegarmos ao meio termo possível.

A assinatura de uma norma coletiva é sempre a vitória do consenso, da harmonia, do entendimento, do respeito recíproco e da solidariedade e, principalmente, da boa-fé, princípios inafastáveis da obrigação de negociar.

Como dizia o poeta: “O tempo não para”. Como entidade sindical temos de criar as condições para que tenhamos futuro. O passado já não serve de referência.

 

Alvaro Furtado é presidente do Sincovaga.

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