07 de agosto, 2020

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Plataformas digitais reforçam comércio de bairro

De um dia para o outro, a venda on-line passou de última da lista de prioridades de muitos micro e pequenos varejistas para o primeiríssimo lugar. Virou questão se sobrevivência para muita pequena lojinha de bairro. Diante das restrições impostas pela Covid-19, a percepção é de que não dá mais para ficar de fora.

E o mercado se mostra disposto a criar soluções. Uma delas é o movimento #CompredoBairro, cujo objetivo é incentivar o comércio de bairro a se profissionalizar por meio de capacitação técnica gratuita. Um dos focos é o marketing digital. Para isso, o movimento ensina a usar o WhatsApp e outras ferramentas que ajudam a vender pela internet, como as plataformas Compre Local e Delivery do Bem.

Outra é a plataforma gratuita Pequenos Gigantes, criada pela fintech iZettle para fomentar os pequenos comércios de bairro. De acordo com a empresa da família PayPal, os pequenos negócios são o “coração e alma da comunidade local” e precisarão de apoio pelos próximos anos.

André Faria Gomes, CEO da Bluesoft

Entre as táticas possíveis de tomar de imediato está a adesão a plataformas de baixo custo. Segundo André Faria Gomes, CEO da Bluesoft, quem acelerou esse processo a partir do cenário de pandemia já está no lucro. “As vendas na internet vieram para ficar e serão mais representativas do que jamais foram. O e-commerce desses supermercados responde por até 2% de suas vendas totais”, revela.

Segundo ele, há duas estratégias básicas para começar: criar essa plataforma (site) própria ou aderir a marketplaces (como Rappi, Supermercado Now, Site Mercado, entre outros). “O site dá a vantagem de, no longo prazo, transformar os dados coletados em estratégias de fidelização”, diz. A própria Bluesoft propõe a construção de sites de e-commerce em tempo recorde (uma semana).

 

Marketplace

Até o início de abril, cerca de 100 lojas por dia procuravam informações para negociar com o SiteMercado, plataforma on-line que integra o ERP da loja ao marketplace, deixando todo o estoque disponível para o consumidor. Logo depois disso, os pedidos de adesão e também o faturamento do site chegaram a triplicar, provando a força do e-commerce.

Thomaz Jannuzzi, analista de Comunicação do SiteMercado

Segundo Thomaz Jannuzzi, analista de Comunicação do SiteMercado, o sistema destaca os varejistas mais próximos do CEP do consumidor, que escolhe onde vai fazer os pedidos, como quer receber a mercadoria e como vai pagar. No aplicativo, que tem parceria com o Ifood, o varejista pequeno ou micro fica ao lado de grandes empresas do setor, o que é um benefício para comércios novos no bairro, mercearias, bombonieres e mercadinhos que precisam de visibilidade. “Lojas muito pequenas realizam ótimas vendas pelo aplicativo, a partir de uma base de clientes muito maior”, afirma.

Não há custo de implantação e fidelidade ao SiteMercado e a mensalidade é de R$ 450 mais taxa de serviço de R$ 4, paga por pedido pelo consumidor final. O varejista também recebe treinamento prévio e a implantação acontece em até 30 dias. Se o mercadinho ainda não tem o estoque digitalizado, a plataforma indica uma software house. “Demanda tempo e recursos, mas vale muito o esforço”, alerta Jannuzzi. Mais de 1.500 lojas já aderiram ao sistema em todo o Brasil.

A Meu Catálogo Digital é uma opção híbrida surgida da dificuldade dos micro e pequenos em gerenciarem uma loja virtual. O sistema gera um site personalizado e disponibiliza uma ferramenta muito simples de usabilidade similar à do Instagram. Não é bem uma loja, porque a negociação final é feita fora do site, via WhatsApp, que também é usado para receber os pedidos e negociar diretamente com o cliente. “As conversas é que vendem. A ideia é promover a negociação direta, inclusive da forma de pagamento”, diz Alexandre Gomes, CEO da empresa.

Segundo ele, o catálogo pode ser criado “em 5 minutos”, bastando cadastrar produtos, descrições, inserir fotos, personalizar o catálogo e oferecer opções de entrega ao cliente. “Essa é a hora de acelerar planos que estavam previstos para daqui a cinco anos”, diz. O pacote anual (R$ 499,90) dá direito ao cadastro ilimitado de produtos.

Alexandre Gomes, CEO da Meu Catálogo Digital

 

Demanda e desafio

Muito pequeno acaba adotando o WhatsApp ou o telefone para interagir com a base de consumidores por receio de não dar conta de tanta tecnologia. É uma forma mais manual, pode ser o primeiro passo, mas nem sempre é escalável.

Mesmo assim, os pequenos têm neste momento a vantagem de conhecerem melhor seus clientes, de saberem seus nomes e gostos. E podem utilizar a tecnologia para oferecer a eles uma promoção bem direcionada a seus hábitos, a ponto dele se sentir especial e manter viva essa relação. “Estes varejistas devem nutrir essa essência que é, no fundo, o que os médios e grandes do chamado ‘atacarejo’ adorariam conquistar a partir da inteligência artificial. Nesse momento, o pequeno não pode se sentir acuado, ter medo e ficar paralisado. Deve, pelo contrário, entender quais ferramentas usar”, aponta André Gomes.

Segundo ele, antes o varejista podia dar um passo de cada vez para atender à demanda on-line, superando aos poucos os muitos desafios (o maior deles é o de custo do frete, mas há também os de logística e contratação de funcionários para a separação dos pedidos).

Agora, a tecnologia é o inevitável passo seguinte, mesmo que o setor tenha muita dificuldade de lidar com o cadastro dos produtos e o consumidor ainda se sinta inseguro de comprar pela internet se não tiver todas as informações do produto e uma boa foto. “Este trabalho é muito importante e deve ser bem feito”, garante. Pensando nisso, a Bluesoft incentivou a criação de uma comunidade entre os varejistas para compartilharem os dados dos códigos de barras identificados. Isso estimulou a indústria a disponibilizar fotos dos seus produtos junto aos seus códigos de barra e acelerou o processo, evitando que cada lojista tenha de cadastrar individualmente todos os códigos.

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