19 de janeiro, 2021

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Meta para 2021 é planejar bem para aproveitar as oportunidades

O consultor Renan Galdino

A pandemia não acabou e ninguém sabe quando vai terminar. Por toda incerteza que essa situação impõe, planejar as ações futuras para 2021 é um grande desafio para o varejo de alimentos, mas também uma tarefa essencial para se beneficiar das (boas) oportunidades que virão.

Uma delas, aposta o consultor empresarial Renan Galdino, será a possibilidade de resgate do comércio regional. Segundo ele, os pequenos e médios têm de aproveitar a onda de valorização do varejo local, que tende a priorizar lojas a até dois quilômetros de distância da casa das pessoas. “É uma excelente hora para se diferenciar com um bom atendimento. O sucesso disso passa pelo entendimento das necessidades dos clientes e por estar apto a atendê-los com as mesmas habilidades das grandes redes, por meio de promoções e diversificação de produtos”, atesta.

Paulo Ferezin, sócio-líder do segmento de Varejo da KPMG Brasil, lembra que o cenário de redução na frequência de compras, compensada pela ampliação do tíquete médio, e de diminuição no número de lojas visitadas também apontam para uma chance única: garantir que a sua loja seja a escolhida e se torne relevante. “Para isso, é preciso ter o que o cliente precisa, se preocupar com as questões sanitárias, cobrar um preço justo e ter serviços agregados”, enumera.

Em relação à gestão, Galdino aponta flexibilidade e criatividade como fundamentais. “Temos de pensar diferente. A regra do pequeno varejista é fazer a mesma coisa gastando menos. A grande flexibilização é na cultura de gestão da empresa, que terá de aceitar as mudanças necessárias para preservar o caixa”, afirma. Para isso, “o ideal é ter um estoque menor e deixar de comprar produtos com vistas de mais longo prazo”.

Ferezin vai pelo mesmo caminho. “Neste momento, tem de ser muito mais assertivo que o normal”, recomenda. “Se a pandemia aumentar de novo, o consumidor vai procurar apenas os produtos essenciais; não vai olhar os correlatos da curva CD. O varejista tem de estar muito atento a isso, porque são os itens da chamada curva AB que não podem faltar. Os demais não são relevantes e têm baixo giro. Só vão ocupar o capital da empresa”, afirma.

 

Mudanças de hábitos

“Existe de fato uma mudança no hábito de consumo do gênero alimentício. As pessoas querem um pouco de tudo e é hora de aumentar a gama de produtos, para que elas resolvam tudo num lugar só”, reforça Galdino. “É evidente que nem todos se beneficiam disso, mas a população deverá manter a precaução com a crise e consumir mais em casa do que fora. Isso pode beneficiar o varejo regional”, completa.

Luiz Claudio Melo, da 360° Varejo

Luiz Claudio Dias de Melo, sócio-diretor de Gestão de Varejo Físico da consultoria 360º Varejo, sustenta que o varejista deva trazer definitivamente o digital para a mesa em 2021. “[O digital] não é mais uma opção ou uma decisão que possa ser adiada”, garante. Ele pondera apenas que a questão é mais do que tecnológica. “Não adianta contratar a melhor tecnologia do mundo se ainda tiver internamente processos desconfigurados e sem uma excelente execução”, diz.

De acordo com o consultor, a solução é investir em pessoas. “A maximização do caixa é um default (padrão). A empresa precisa mesmo é ter o melhor time. Quem vai virar o jogo são as pessoas.” Segundo ele, o aumento de produtividade é o caminho, e isso só será alcançado com profissionais altamente engajados e com visão multidisciplinar.

 

Retomada econômica

Os especialistas são unânimes em apontar a economia como ponto de atenção. “A retomada, apesar de muito moderada, já reflete os efeitos do desabastecimento de material causado pela crise, o que emperra a evolução das empresas”, adverte Galdino.

Segundo ele, a retomada só ocorrerá com a recuperação na geração de empregos, e o fim do auxílio emergencial “deverá ser superado”.

“Estamos ainda experimentando a elevação dos preços das commodities e isso tem um impacto forte na percepção da loja. Recomendo estabelecer uma comunicação transparente para que o cliente entenda se tratar de uma movimentação da cadeia produtiva”, indica o sócio-líder do segmento de Varejo da KPMG Brasil.

“O grande dano causado pela alta do câmbio é o achatamento das margens e a perda de rentabilidade. É difícil repassar um reajuste de preço ao cliente final na mesma velocidade que os fornecedores o fazem”, argumenta Galdino, que indica “aprender a planejar a programação antecipada de compras, negociar com os fornecedores uma expectativa mínima de compra futura, pedir mais prazo de pagamento, negociar reajustes mais espaçados e travar preços”.

“É importante ter os fornecedores como aliados, numa relação mais colaborativa que especulativa”, concorda Ferezin. Do lado do consumidor, ele sugere tentar oferecer opções que lhe permitam comprar o mesmo número de produtos com o mesmo orçamento. “É preciso achar uma alternativa para ajudá-lo a não perder o poder de compra”, justifica.

Paulo Ferezin, sócio-líder do segmento de Varejo da KPMG

Para ele, todos os aspectos econômicos devem ser vistos em tempo real pelo varejista, visto que qualquer movimento de mercado, para cima ou para baixo, pode ter impacto imediato sobre o negócio e, sobretudo, sobre o mix. “Revise o portifólio, olhando para as categorias de baixo giro, para entender se elas ainda fazem sentido, e para a curva AB, para ver se não é hora de reduzir o sortimento de marcas”, recomenda.

Para Ferezin, o ambiente é de oportunidades, mais do que desafios e as empresas que conseguem entram nesses momentos de forma mais planejada e com uma boa execução são as que conseguem sair deles mais fortes, com mais clientes, mais dinheiro em caixa, maiores. “Agora é hora de inovar”, completa.

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